Em 1958, eu era menino, tinha 11 anos de idade, quando vi o filme da chegada do avião quadrimotor, DC-7C, da Panair do Brasil, que trouxe a delegação brasileira, campeã mundial na Suécia. Sonhos realizados. Sorrisos, glórias, apoteose. A Canarinho no topo do Mundo.
Em 1962, novamente um avião da Panair do Brasil trouxe a delegação brasileira, agora bicampeã mundial, título conquistado em Santiago, no Chile. Quase a mesma formação que ganhara o primeiro título da Suécia, quatro anos antes. Na aeronave, o retorno com os sonhos concretizados. Sorrisos, glórias, apoteose...
Anteontem, o avião Boeing 767-300ER, com adesivagem da Azul Linhas Aéreas, fez uma bela decolagem. Ganhou os céus, conduzindo as esperanças de uma Nação inteira. Que retorne com a taça do hexa!
Responsabilidade
Na decolagem, imagino o que se passa nos sentimentos dos atletas. Na subida para desafios tão sérios, certamente pesa a extrema responsabilidade. A cobrança. A mínima separação entre o acerto e o erro, entre a glória e o fracasso. É muita pressão!
Tempo
São quatro anos de preparação para resolver tudo a cada noventa minutos e acréscimos. Quantos minutos cada jogador passa com a bola durante o jogo? Poucos minutos. E, exatamente, nestes poucos minutos, tem que decidir o rumo das coisas.
Sonhos desfeitos
Há 24 anos a Seleção Brasileira está na fila de espera. Gerações passaram. Lágrimas de tristeza foram derramadas pelos gramados do mundo. Nestes anos todos, os sonhos ficaram nas decolagens. Amargos foram os regressos. Enormes as decepções.
Última chance
A bordo da aeronave, jovens que terão chances de disputar outras Copas do Mundo. A bordo também alguns atletas em despedida. Para estes, tudo ou nada. A última chance de cravar no currículo um título mundial pela Seleção Brasileira. Se não acontecer agora, nunca mais.
Espera
Vamos torcer juntos. O Brasil sempre estará entre os que podem conquistar o título, embora o momento não seja de qualidade excepcional. Entretanto, jamais será descartado quem tem cinco estrelas no peito e uma história de inigualáveis ídolos.
Fonte Diário do Nordeste