Economia azul cresce no Ceará, mas setor ainda é artesanal e pouco diversificado
Remuneração média, escolaridade do trabalhador e principais atividades realizadas indicam que cenário cearense ainda está aquém do nacional.A economia azul no Ceará tem uma base produtiva mais tradicional e de menor intensidade tecnológica quando comparada ao restante do Brasil. É o que apontam dados apresentados pela especialista em Inteligência Competitiva no Observatório da Indústria Ceará, Rayssa Costa.
Um dos principais dados que comprovam esse cenário é a remuneração média do trabalhador formal da economia azul. Segundo dados apresentados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), enquanto o valor médio nacional é de R$ 8.743,74, no Ceará a remuneração é de R$ 3.358,67.
“Isso está muito relacionado tanto ao nível de qualificação dos trabalhadores, como também aos tipos de ocupações que são mais comuns. O Brasil possui uma maior proporção de trabalhadores com ensino superior completo ou pós, enquanto o Ceará possui uma maior participação de trabalhadores com até ensino fundamental completo ou até o ensino médio completo”, afirma Rayssa, durante Ocean Summit 2026, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Apesar do cenário, a economia azul movimenta bilhões anualmente no Estado e aponta para crescimento na produção e receita gerada pelo setor. Conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o valor da produção de pescado no Ceará cresceu 353,4% entre 2014 e 2023, chegando a R$ 1 bilhão em 2023.
Escolaridade média do trabalhador formal na Economia Azul
Brasil
- Até o ensino fundamental completo: 15,8%
- Até o ensino médio completo: 57,9%
- Superior completo ou pós: 26,3%
Ceará
- Até o ensino fundamental completo: 25%
- Até o ensino médio completo: 62,9%
- Superior completo ou pós: 12,1%
Fonte: MTE
Além disso, ela destaca que a maior parte das atividades nacionais do ramo são voltadas para o setor industrial, enquanto no Ceará, os principais empregos formais relacionados ao mar são de menor remuneração, como criação de camarões e demais ofícios ligados à pesca artesanal.
Participação das atividades relacionadas ao mar no emprego formal (2025)
Brasil
- Atividades do operador portuário: 17%
- Atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural: 12,9%
- Construção de embarcações de grande porte: 9,1%
- Extração de petróleo e gás natural: 8,3%
- Navegação de apoio marítimo: 7,5%
Ceará
- Criação de camarões em água salgada e salobra: 31,5%
- Atividades do operador portuário: 25,9%
- Fabricação de conservas de peixes, crustáceos e moluscos: 12%
- Preservação de peixes, crustáceos e moluscos: 7,4%
- Pesca de crustáceos e moluscos em água salgada: 3,4%
Fonte: MTE/IBGE
“Lembrando que esses dados são de emprego formal, e que no Ceará a pesca artesanal é muito predominante e é muito presente na informalidade. Então a quantidade de trabalhadores no mercado de trabalho nessa atividade deve ser muito maior do que a que é capturada por esses dados”, ressalta Rayssa.
Entre 2022 e 2025, apesar do Ceará ter aumentado em 14,2% os empregos formais das atividades ligadas ao mar, saindo de 7.655 para 8.736, o percentual foi inferior ao nacional (34%), que saiu de 245.858 para 302.631.
Outro dado apresentado pela especialista abarca os transportes aquáticos mais utilizados. Segundo a Marinha do Brasil, em 2025, no Ceará, a predominância era de canoas, jangadas e pesqueiros, enquanto no Brasil são mais usados botes, lanchas e motos-aquáticas.